Teto de Vidro: A maternidade é incompatível com crescimento profissional?

11/07/2019

Teto de Vidro: A maternidade é incompatível com crescimento profissional?

Após a maternidade, as prioridades femininas mudam? De que maneira essas mudanças são agregadas (ou não) na carreira feminina? Entenda mais sobre a relação entre teto de vidro e maternidade e como isso afeta o avanço profissional feminino.

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O que significa Teto de Vidro?

Teto de Vidro é o conceito que define a barreira invisível para a ascensão profissional feminina. O termo remete a ideia de que há um limite para o crescimento das mulheres profissionais, uma posição máxima que elas podem ocupar.

O conceito sugere que essa barreira não está relacionada a aptidão, competências ou preparo feminino, mas sim ao fato de uma percepção de que elas não 'dão conta' de obstáculos mais desafiadores que são encontrados nos cargos de alto escalão.

Em relação a preparo, contudo, elas têm saído na frente. No Brasil, as mulheres já representam 57,8% dos graduandos, segundo o Censo INEP 2018 e são 55% dos alunos de pós-graduação do país. Com mais tempo de estudo, estão entrando no mercado de trabalho em nível de igualdade aos homens. Mas conforme os anos de carreira vão avançando, tem algo que faz eles dispararem na corrida. Quando olhamos para o topo, a esmagadora maioria é masculina.

São inúmeros fatores que levam a isso, mas de acordo com a enquete mais recente da ImpulsoBeta, a maternidade é um fator determinante para o Teto de Vidro.


A maternidade e o avanço profissional

Em uma enquete realizada em 2019 pela ImpulsoBeta com 163 mães e profissionais respondentes, o dado foi expressivo: uma em cada duas mulheres acredita que de forma alguma tem as mesmas oportunidades de carreiras dos homens, sejam eles pais ou não.

Em relatos qualitativos, também afirmaram que, após a maternidade, elas passaram a ser vistas como apenas como mães, mesmo em ambientes profissionais que seus desempenhos são altos, como conta uma gerente do Setor de Construção: "Meu diretor disse que eu merecia uma promoção vertical e que eu seria escolhida, porém, como minha prioridade com a maternidade mudava, eu não seria promovida."

Outros relatos dividem também situações em que as mães são excluídas de oportunidades sem nem serem consultadas, sempre partindo do pressuposto de que o tempo e a dedicação delas certamente será escasso com a chegada da maternidade: "Meu diretor pediu que eu resolvesse tudo em relação à gravidez com o setor de RH, além de evitar que meu trabalho me levasse a viagens, me fazendo sentir que perdi algumas oportunidades. Depois descobri que ele achava que, por conta da gravidez e da minha idade, eu poderia ter alguma complicação em viagens longas e usou disso para me manter fora de projetos em outros estados.", relata a Analista em uma empresa do setor de Serviços Profissionais.


Parentalidade

Segundo pesquisa da FGV realizada em 2017, a paternidade é vista como algo positivo para a carreira masculina: a associação do homem a um dependente faz com que sua imagem seja de responsável e preocupado com o sustento.

Contudo, ao mesmo tempo que não se espera que as mulheres sejam provedoras financeiras de seus filhos, também não se espera que homens sejam fonte de cuidados para as crianças. 

Com isso, temos hoje no mercado de trabalho homens e mulheres insatisfeitos com a maneira como estão sendo tratados após a chegada de seus filhos - por um lado, alguns deles gostariam de mais flexibilidade e tempo para estar com as famílias e não tem essa oportunidade; do outro, muitas delas se veem mais limitadas na carreira por pressuposições que suas únicas prioridades são as famílias.

Dessa forma, o Teto de Vidro atrelado a maternidade impacta diretamente as mulheres e indiretamente os homens. Para tanto, discutir parentalidade se tornou pré-requisito para falarmos de equidade de gênero. Quando falamos de filhos, o assunto afeta toda a sociedade: até mesmo aqueles que não querem tê-los.